//CUBA E EUA Considerações sobre a sobrevivência do Regime de Fidel Castro durante a Guerra Fria

CUBA E EUA Considerações sobre a sobrevivência do Regime de Fidel Castro durante a Guerra Fria

RESUMO

Este trabalho académico procura tecer algumas considerações sobre a Revolução Cubana, a aproximação à União Soviética e o que isso representou para os Estados Unidos da América. Em virtude disso, procurar responder à pergunta: Como o regime comunista de Cuba sobreviveu politicamente bem como também fisicamente o seu líder Fidel Castro, durante o período conturbado de bipolaridade mundial que foi a Guerra Fria, mesmo estando situado bem na periferia do regime capitalista e democrático dos Estados Unidos da América.

ABSTRACT

This academic work seeks to make some considerations about the Cuban Revolution, the approach to the Soviet Union and what this represented for the United States of America. And in doing so, providing the answer to the question: How did Cuba’s communist regime survive politically as well as physically its leader Fidel Castro during the troubled period of global bipolarity that was the Cold War, even though it was situated peripherally close to the capitalist and democratic regime of the United States of America.

TABELA DE ABREVIATURAS

CAFC – Commission for Assistance to a Free Cuba.

AM/LASH – Nome de código para o Oficial Cubano Sénior da CIA – Rolando Cubela.

CBP – Customs and Border Protection.

CIA – Central Intelligence Agency.

DIA – Agência de Serviços de Inteligência de Defesa.

DR – Dirección Revolucionaria Cubana.

EUA – Estados Unidos da América.

FBI – Federal Bureau of Investigation.

FRD – Frente Revolucionario Democratico.

GAO – Escritório de Prestação de Contas do Governo dos Estados Unidos.

HERO – Nome de código do Espião duplo Oleg Penkovsky.

JCS – Joint Chiefs of Staff.

JM / WAVE – Centro de operações da CIA sediada na Universidade de Miami.

KGB – Comitê de Segurança do Estado da URSS.

LTBT – Limited Tests Ban Treaty.

SFNE – Segunda Frente Nacional do Escambray.

URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

1. GUERRA FRIA, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA E CUBA

Durante a Segunda Guerra Mundial, foram feitas alianças improváveis para derrubar um inimigo comum, os Países do Eixo e as suas doutrinas radicais, nomeadamente, a Alemanha Nazi sob o comando de Adolf Hitler, a Itália fascista de Benito Mussolini e o Japão imperial de Hirohito.

Cuba, em 1958, apesar da sua pequena extensão e possuindo apenas 6,5 milhões de habitantes, era um país semi-industrializado com um razoável padrão de vida, graças a um sector turístico próspero e com os seus magníficos casinos e belas praias, cotando a pequena ilha como a 29.ª economia mundial. Havana, em 1959, era a cidade com o maior número de salas de cinema do mundo, 358, ultrapassando as cidades de Nova York e Paris que, a sucediam em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Cuba, no entanto, ainda sofria com elevados índices de pobreza, principalmente nas suas grandes fazendas de cana-de-açúcar e de tabaco.

1.1. A Guerra Fria

A Guerra Fria começou a tomar forma durante o decurso da Segunda Guerra Mundial. A conferência de Potsdam deu origem à era da «ansiedade atómica» e o discurso de Truman, perante o Congresso dos Estados Unidos, lançado a sua Doutrina[i] que se fundamentava numa luta sem tréguas contra o expansionismo soviético através de uma estratégia de contenção – “at the present moment in world history nearly every nation must choose between alternative ways of life. The choice is too often not a free one”[ii]. À medida que o mundo se dividia em dois hemisférios antagónicos, essa divisão acentuou-se ainda mais quando o líder chinês, Chiang Kai-shek, perde o poder para Máo Zédōng[iii] em Outubro de 1949.

A partir desse momento a estranha aliança esfumou-se, como Churchill denotou no seu discurso perante a Casa dos Comuns, em 1944: “the marvel was that it had survived. With victory, divergences of ideology, geography and national cultures that had been submerged by common need rose to the surface.”[iv]

1.2. Cuba antes da Revolução

Durante o período da governação de Carlos Prio Socarrás[v], como Primeiro-Ministro e depois como Presidente, de 1945 até 1952, Cuba teve de viver com o ressurgimento da corrupção em grande escala, bem como uma diminuição dramática dos serviços públicos do tempo do antigo presidente Fulgencio Batista[vi].

O mesmo Fulgencio Batista que inicialmente subiu ao poder como parte da «Revolta dos Sargentos» derrubando o regime autoritário de Gerardo Machado em 1933, nomeando-se a si mesmo chefe das forças armadas – com a patente de coronel – e mantendo o controlo da governação através de uma série de presidentes «fantoches» até 1940, data em que ele próprio, se elegeu Presidente de Cuba através de uma plataforma popular[vii].

O seu retorno ao poder em Março de 1952, através de um golpe militar sem sangue que depôs o Pres. Carlos Prío Socarrás, foi concensualmente bem-recebido. Mas o seu regresso foi, não como reformista, mas sim como um ditador brutal. Suspendeu a Constituição de 1940[viii] e revogou a maioria das liberdades políticas, incluindo o direito à greve. Restabeleceu a pena de morte controlando uma universidade, uma imprensa e o Congresso, desviando verdadeiras fortunas da economia em crescimento. Em 1954 e 58 o país realizou eleições presidenciais que, embora supostamente «livres», foram manipuladas para levar Batista a ser o único candidato.

O apoio do governo dos Estados Unidos ao governo ditatorial de Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, graças às suas posições claramente favoráveis aos negócios americanos na ilha, foi um dos episódios que marcaram esses sete anos do período da Guerra Fria. No entanto, o Director da CIA Allen Dulles assumiu uma posição aparentemente contraditória. Ele pensou que os regimes autoritários deveriam ser apoiados, mas ao mesmo tempo, encorajava membros nas fileiras da oposição – “just in case it should become necessary.”[ix]

2. A CUBA DE FIDEL CASTRO

Passados mais de 50 anos, o legado de Batista, esse corrupto ditador, que conspirou com os capitalistas e com os gangsters americanos para se enriquecer e, simultaneamente, empobrecer o seu próprio povo é ainda invocado pelo regime cubano, na voz de Raúl Castro, como símbolo de legitimação da Revolução[x].

A América assistiu com interesse, mas não demorou muito para que a Cuba de Castro não fosse um vizinho tranquilo para os Estados Unidos.

2.1. A Revolução

A Revolução de 1959 tem profundas raízes na trajectória histórica nacional, com antecedentes que remontam ao período independentista. Cuba foi a última colónia da América Latina a libertar-se de Espanha, em 1898, num processo que se alongou por um período de trinta anos que, entretanto, causou duas guerras pela independência[xi].

A Revolução Cubana começou como uma insurgência nacionalista com Fidel Castro ao comando. Ele, o «líder-chave» da revolução, voltou-se contra o regime de Fulgêncio Batista porque o via como um “allied with US exploitation of the island and as being incapable of carrying out the social and economic reform”[xii] que ele considerava necessárias. Segundo Odd Arne Westad, a promessa da revolução cubana foi para os cubanos e, eventualmente para todos os latino-americanos, a possibilidade de eles próprios poderem derrubar o controle americano e criar estados verdadeiramente independentes.

No final de 1957, surgiu uma nova guerrilha que se organizou nas montanhas de Escambray, localizada na província central estratégica de Las Villas, liderada por Eloy Gutierrez Menoyo e um grupo de seguidores. Eloy Gutierrez ganhou mérito político à sombra de seu irmão Carlos, que foi morto no ataque ao Palácio Presidencial, em 13 de Março daquele ano, quando as forças da Dirección Revolucionaria tentaram assassinar Batista. Após essa acção, Gutierrez Menoyo aproveitou os planos da DR para iniciar uma luta armada nas montanhas Escambray. Ele assumiu os planos em andamento e tomou as armas com um grupo de homens seus, principalmente das fileiras dos «Autenticos», e assim fundou a pomposamente denominada «Segunda Frente Nacional do Escambray» com um único propósito: parar o movimento revolucionário dirigido por Fidel Castro, que avançava das províncias orientais.

A CIA tinha conhecimento da insurreição planeada desde o início. Na realidade, o projecto estava em consonância com os seus interesses imediatos. A atmosfera na ilha estava carregada de tensão e a SFNE poderia fornecer uma pequena válvula de escape para alguma da instabilidade política e social que poderia ser imediatamente aliviada através de um qualquer subterfúgio político. Além disso, com o passar dos dias, os rebeldes de Fidel Castro nas montanhas do Leste iam fortalecendo as suas posições, e se o exército de Batista fosse varrido por um mar de verde azeitona, os homens de Gutiérrez Menoyo poderiam servir como uma espécie de muro de contenção.[xiii]

Nos últimos dias de dezembro de 1958, a embaixada dos EUA estava frenética, tentando reter a maré revolucionária que ameaçava varrer o regime, já que o exército de Batista já estava praticamente derrotado. As tropas comandadas por Fidel Castro e Juan Almeida, juntamente com as forças da Segunda Frente Oriental sob o comando do seu irmão Raúl Castro, na parte mais a norte da Província do Oriente, aproximavam-se cada vez mais da cidade de Santiago de Cuba. As colunas encabeçadas por Camilo Cienfuegos e Che Guevara já tinham alcançado Escambray e a parte norte de Las Villas, dando início a uma forte ofensiva militar que estava no processo de derrotar as unidades mais selectas do exército. Os dias de Batista estavam claramente contados.[xiv]

Quando surgiu triunfante nas ruas de Havana no dia 8 de janeiro de 1959, após a improvável vitória na Revolução Cubana, Fidel Castro era agora um líder carismático, ovacionado pela multidão em Cuba e despertava a curiosidade e o interesse internacional.[xv] A partir desse momento, Fidel deu início a uma purga nacional, extraindo os seguidores de Batista e abdicou das tão ansiadas reformas democráticas.

2.2. A aproximação à União Soviética

Inicialmente, a revolução não foi abertamente comunista, mas Fídel Castro avançou em direcção a essa ideologia em conformidade com a prossecução dos seus objectivos e interesses. Em meados de 1959, instituiu programas de distribuição de riqueza e confiscação de terras. Petroleiros soviéticos chegaram a Cuba com petróleo bruto para refinar. As três refinarias de petróleo existentes em Cuba, as americanas Esso e Texaco e uma outra de propriedade britânica, negaram-se a refinar o petróleo soviético. Castro reagiu, nacionalizando as refinarias. O líder cubano interpretou esse acto dos EUA como uma declaração de guerra económica a Cuba e, no mês seguinte – Julho, o governo de Cuba aprovou uma lei de nacionalização que previa a expropriação de participações estrangeiras na ilha. Dois dias depois, o presidente americano Eisenhower reduziu a compra de açúcar cubano em 95%. A União Soviética, num gesto de aproximação, anunciou que estava disposta a comprar o açúcar que tinha sido destinado aos Estados Unidos.

A revolução cubana, com o seu radicalismo, serviu para inspirar outros estados ditos de «terceiro mundo» e, o que começou como uma insurreição nacionalista do povo autóctone, transformou-se progressivamente numa experiência marxista. E, em resposta aos actos da administração de Eisenhower, Cuba ganhou o apoio da União Soviética.

Os cubanos anti-Castro em Sierra Maestras, numa tentativa de replicar o sucesso de Fidel, foram apanhados e mortos. Formaram-se grupos de vigilância de proximidade, para detectar pessoas que possam estar inclinadas para actos de sabotagem, traição e violência contra a revolução. Fidel estava agora decididamente mais próximo daqueles que defendiam unidade, ele falava contra o «red-baiting»[xvi] e o seu velho amigo Che Guevara assumia-se abertamente como sendo comunista[xvii].

1959 tinha sido um ano de exposições de intercâmbio cultural entre os Estados Unidos e a União Soviética, com a visita de Nikita Khrushchev aos EUA em Setembro. Em Fevereiro de 1960, Anastas Mikoyan, da URSS, visitou Cuba para inaugurar uma exposição comercial soviética. Ele assinou um acordo comercial de cinco anos com Cuba, prometendo a compra anual de um milhão de toneladas de açúcar. Cuba, por sua vez, receberia produtos petrolíferos em troca [xviii].

No decurso da invasão da Baía dos Porcos, no funeral dos homens mortos pelos ataques aéreos, Fidel Castro serviu-se desse acto do regime norte-americano, para discursar numa retórica mais inflamada: “What the imperialists cannot forgive us,’ he roared, ‘is that we have made a Socialist revolution under their noses.”[xix]

3. A RESPOSTA DOS ESTADOS UNIDOS

A Doutrina americana, no período da Guerra Fria, centrava-se muito em depor regimes potencialmente perigosos e, ocasionalmente, os responsáveis pela tomada de decisão no seio da administração norte americana apontavam que certo regime acarretava uma ameaça significativa para os interesses nacionais dos EUA e, porquanto, deve ser derrubado. No período da Guerra Fria, as preocupações com a expansão das instalações comunistas no Terceiro Mundo levaram os Estados Unidos a intentar a destituição de governos considerados como já comprometidos com Moscovo ou, provavelmente, como estando na órbita soviética. Esta foi a lógica subjacente nas acções apoiadas pela CIA, durante a administração de Eisenhower, no derrube do regime de Mohammed Mosaddeq no Irão e do governo de Jacobo Arbenz Guzmán na Guatemala. Também estava subjacente nas tentativas infrutíferas da administração Kennedy de expulsar o regime de Fidel Castro de Cuba[xx].

3.1. O Embargo Americano

Os Estados Unidos, então, responderam congelando todos os bens cubanos nos Estados Unidos, cortando os laços diplomáticos e apertando o embargo sobre Cuba, que continua em vigor depois de cinco décadas[xxi].

Citando Rodolfo Lorenzato, no seu livro Dossiê Fidel Castro, ele afirma que “o embargo norte-americano, ainda na visão dos seus críticos, nada mais é que uma resposta natural ao enfrentamento irresponsável promovido pelo ditador aos Estados Unidos”[xxii].

Em 1960, a administração americana de Eisenhower impôs oficialmente as primeiras sanções económicas contra Cuba por causa do processo de nacionalização de empresa americanas que o governo revolucionário de Fidel Castro empreendeu. Mais tarde, em 1962, o governo democrata do seu sucessor, John F. Kennedy, aplicou sanções económicas totais contra a ilha.

O autor Salim Lamrani, no seu artigo 50 verdades sobre as sanções económicas dos Estados Unidos contra Cuba[xxiii], afirma que o impacto foi profundamente terrível porque os Estados Unidos sempre foram uma parte integrante da dinâmica do mercado de Cuba. Em 1959, 73% das exportações de produtos cubanos eram feitas para a América do Norte e 70% das importações precediam, respectivamente, do mercado norte americano. E, a partir, Cuba não podia mais exportar nem importar nada dos Estados Unidos.

Referindo-se especificamente à retórica diplomática dos Estados Unidos para justificar o endurecimento deste estado de sítio económico e de como ele evoluiu com o tempo, Lamrani descreve que a administração americana, no período entre 1960 a 1990, evocou primeiramente o caso das expropriações das empresas norte americanas para justificar a sua política hostil para com Havana. E posteriormente, Washington justificou-se sucessivamente com a aliança de Cuba com a União Soviética, com o apoio às guerrilhas latino-americanas na luta contra as ditaduras militares e com a intervenção cubana em África para ajudar as antigas colónias portuguesas a conseguir a sua independência e a defendê-la.

Posteriormente, depois do desmoronamento do bloco soviético, em 1991, em vez de normalizar as relações com Cuba, os Estados Unidos decidiram reforçar as sanções invocando a necessidade de re-estabelecer a democracia e o respeito aos direitos humanos.

Em 1992, sob a administração de George H. W. Bush, o Congresso dos Estados Unidos adoptou a lei Torricelli, endurecendo as sanções contra a população cubana, dando-lhe um carácter extra-territorial que era completamente contraditório à legislação internacional. Porque, segundo o direito internacional, é ilícito a aplicação de uma lei nacional fora do seu âmbito territorial, i.e., não pode ser aplicada para além das fronteiras do país – e.g.: uma lei francesa não pode ser aplicada na Alemanha. Não obstante, a lei Torricelli é aplicada em todos os países do mundo. Assim, todo o navio estrangeiro, independentemente da sua procedência, que entrasse num qualquer porto cubano, ver-se-ia proibido de entrar nos Estados Unidos durante seis meses. Por esse motivo, as empresas marítimas a operar na região privilegiavam o comércio com os Estados Unidos, o principal mercado no mundo. Cuba, pela sua insularidade, dependerá sempre do transporte marítimo que, consequentemente, é condicionada a pagar um preço muito superior ao do mercado para convencer as transportadoras internacionais a fornecer mercadoria à ilha.

Em 2004, já com a administração de George W. Bush, foi criada a CAFC – Commission for Assistance to a Free Cuba[xxiv], que impulsionou novas sanções contra Cuba. Esta Comissão limitou muito as viagens. Todos os cidadãos, a residir nos Estados Unidos, podiam viajar aos seus paises de origem as vezes que quisessem excepto os cidadãos de nacionalidade cubana. De facto, entre 2004 e 2009, os cubanos dos Estados Unidos só podiam viajar à ilha 14 dias a cada três anos, na melhor das hipóteses, desde que conseguissem uma autorização do Departamento do Tesouro.

Em 2006, a CAFC, sob o pretexto de conceder incentivos económicos a um futuro governo de transição em Cuba, na realidade, adoptou outra norma que amplificou as restrições contra Cuba com o objetivo de limitar a cooperação médica cubana com o resto do mundo, os Estados Unidos proibiram a exportação de equipamentos médicos a países terceiros “destinados a serem utilizados em programas de grande escala com pacientes estrangeiros”[xxv] mesmo apesar de a maior parte da tecnologia médica mundial ser de proveniência norte americana.

Ainda por causa da aplicação extraterritorial das sanções económicas, Lamrani refere que um qualquer fabricante de veículos automóveis, seja alemão, japonês, coreano ou outra, que deseje comercializar seus produtos no mercado estado-unidense, tem de demonstrar ao Departamento do Tesouro que os seus carros não contêm nem uma só grama de níquel cubano. Do mesmo modo, um comerciante de produtos de pastelaria, que deseje entrar no principal mercado mundial, tem de demonstrar ao mesmo organismo de estado que a sua produção não contém uma só grama de açúcar cubano. Como se pode verificar, afirma o mesmo autor, que o carácter extra-territorial das sanções restringe fortemente o comércio internacional de Cuba com o resto do mundo.

Essas sanções económicas aplicadas pelos EUA a Cuba também impactaram gravemente no domínio da saúde. Na verdade, cerca de 80% das patentes registadas no sector da medicina têm proveniência das farmacêuticas multinacionais dos Estados Unidos e das suas subsidiárias e o acesso a elas está interditado a Cuba. O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos sublinha que “as restrições impostas pelo embargo têm contribuído para privar Cuba de um acesso vital a medicamentos, novas tecnologias médicas e científicas”[xxvi].

Os cidadãos norte-americanos podem viajar para a China, principal rival económica e política dos Estados Unidos, em turismo, bem como para o Vietname, país contra o qual os EUA estiveram mais de quinze anos em guerra e até para a Coréia do Norte, que possui armamento nuclear e ameaça usá-lo, mas não podem viajar para Cuba que, na sua história, em momento algum agrediu os Estados Unidos.

O GAO apontou, num relatório, que os serviços aduaneiros – CBP, de Miami, realizaram inspecções «secundárias» a 20% dos passageiros procedentes de Cuba em 2007, com a finalidade de comprovar que não importavam tabaco, álcool ou produtos farmacêuticos da ilha. Em contrapartida, a média de inspecções foi apenas de 3% para os restantes viajantes. Segundo o GAO, estas acções direccionadas especificamente sobre Cuba “reduz a capacidade dos serviços aduaneiros de levar a cabo a sua missão que consiste em impedir que terroristas, criminosos e outros estrangeiros indesejáveis entrem no país”.

Lamrani, abordando as administrações dos presidentes Jimmy Carter e Bill Clinton, descreve que eles se oposeram diversas vezes à política de Washington em relação a Cuba. “Não deixei de pedir pública e privadamente a eliminação de todas as restrições financeiras, comerciais e de viagem”, declarou Carter depois da sua segunda estadia em Cuba, em Março de 2011. Já Clinton, afirmava a política de sanções como sendo“absurda” e que tem sido um “fracasso total”.

Também a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que representa o mundo empresarial e as multinacionais mais importantes do país, também expressou a sua oposição à manutenção das sanções económicas.

Por fim, o jornal The New York Times condenou o embargo como sendo “um anacronismo da Guerra Fria”[xxvii].

3.2. A Invasão Da Baía Dos Porcos (1961)

A Brigada responsável por proceder à invasão contou com cerca de 1.400 homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um batalhão de paraquedistas, apoiados por artilharia e cinco tanques. Foi transportada da Guatemala para Puerto Cabezas na costa caribenha da Nicarágua, em princípios de Abril de 1961. Tanto o governante da Nicarágua, o general Somoza[xxviii], quanto o seu homólogo da Guatemala[xxix] estavam interessados em ajudar a CIA e os exilados cubanos na prossecução da operação para depor o regime de Fidel Castro.

Ao entardecer de sexta-feira, 14 de Abril, Castro estava no seu posto de comando militar em Havana quando recebeu a mensagem de que um navio suspeito havia sido avistado na orla marítima, não muito longe de Guantanamo. O líder cubano e seus comandantes do exército já estavam na iminência de uma intrusão a Oriente. Ele ordenou então que doze batalhões de milícias se movessem para posições na costa. Ele permaneceu no posto de comando a noite toda, aguardando notícias de um ataque. Neste acontecimento, o desembarque de distracção previsto a Oriente acabou por nunca suceder. A partir daí, todos os possíveis locais de desembarque foram tão fortemente protegidos pelas milícias de Fidel que o oficial encarregado da operação decidiu não continuar. Nas primeiras horas de sábado, dois dias antes da chegada da frota principal às águas cubanas, oito bombardeiros B-26, pintados com as insígnias da Força Aérea Cubana, descolaram de uma base na Nicarágua e voaram os mais de 1.200 km até Cuba. Ao amanhecer, seis deles, operando aos pares, bombardearam e derrubaram os três aeroportos militares cubanos. A sua missão decisiva consistia em destruir a pequena força aérea cubana no solo, de modo que a força de invasão tivesse o controlo aéreo durante o pouso. Eles danificaram as pistas de aterragem e destruíram vários aviões de Castro, antes de voltarem para Nicarágua. Associadamente, o fogo anti-aéreo das forças cubanas não atingiu nenhum dos aviões atacantes. No entanto, a invasão foi apenas parcialmente bem-sucedida porque, efectivamente, alguns dos alvos atingidos eram chamarizes ou aeronaves já desactivadas. O verdadeiro poder aéreo cubano fora escondido antecipadamente, incluindo os quatro Hawker Sea Fury[xxx] de Castro perfeitamente operacionais.

A frota que transportava a Brigada 2506 atingiu a Costa Sul do centro de Cuba sem ser detectada pelas forças de Castro. Sob a cobertura de uma noite sem lua, as embarcações começaram a desembarcar tropas nas praias da Baía dos Porcos, uma entrada estreita que se estendia ao longo de 16km até a península de Zapata. Os recifes de coral em águas rasas adicionaram-se aos atrasos e contratempos do desembarque nocturno – só por si difícil. Os locais de desembarque foram escolhidos, em consultas de última hora com o presidente Kennedy, porque a área estava muito pouco habitada. Um posto avançado de milícias que viu tropas desembarcar durante a noite levou, no entanto, mais de uma hora para chegar a um rádio-telefone para accionar o alarme.

Informado do desembarque, Fidel Castro telefonou então para o capitão José Ramón Fernández, o comandante da escola de oficiais da milícia, localizada a Sul de Havana, ordenando-lhe que se encarregasse das unidades da milícia mais próximas da península de Zapata e a atacar a cabeça da praia o mais rápido possível. Castro disse que traria tanques e artilharia para apoiá-lo, mas que era vital colocar os invasores sob pressão imediatamente, antes de terem tempo para se organizarem e consolidar posição no topo da praia.

A apreensão de Castro, relativamente à invasão, pendia sobre o anúncio da formação de um governo provisório por parte dos invasores, que poderia ser reconhecido pelos Estados Unidos e, nesse cenário, o novo governo pediria ajuda externa, legitimando uma possível intervenção militar americana.

Fidel Castro começou rapidamente a organizar o que restava da sua pequena força aérea, que consistia em apenas oito aviões de combate úteis que, na sua perspectiva, era vital para afundar ou colocar fora de acção os navios que trouxeram a força invasora e que continuariam a desempenhar um papel fundamental no apoio e fornecimento ao topo da praia. Assim, às 4h30, o piloto sénior na base aérea, fora de Havana, que se encontrava já no cockpit do seu Hawker Sea Fury quando recebeu uma transmissão de Fidel que lhe explicou a missão: “Lad, you’ve got to destroy those ships for me.” Ao amanhecer, os três aviões disponíveis na base – dois Sea Fury’s e um bombardeiro B-26 –, levantaram vôo e logo avistaram dois navios na Baía dos Porcos, com outros ainda ao largo. Na primeira passagem, os rocket’s falham o alvo, mas na segunda passagem, eles atingem e danificam os dois navios na baía – o Houston, um grande navio que já tinha desembarcado um batalhão e o seu equipamento durante a noite, mas ainda tinha um segundo batalhão a bordo quando foi atingido. O segundo navio danificado na baía, o Barbara J, transportava os «conselheiros» americanos que constituíam o comando da CIA. Depois de ser atingido por um projéctil, o navio começou a inundar. Para escapar de mais danos, saiu da baía e dirigiu-se para o Sul. A aeronave cubana voltou então à base para re-abastecer e re-armar.

Às 9h30, lançaram um segundo ataque, desta vez aos navios na orla costeira da Playa Girón. Conseguiram atingir outro grande cargueiro, o Rio Escondido, que já tinha desembarcado todas as suas tropas, mas ainda estava a descarregar mantimentos quando explodiu numa enorme bola-de-fogo e afundou em seguida. Após este novo golpe, os restantes navios suspenderam o descarregamento de mantimentos e partiram para mar aberto.

A força invasora estava apoiada por bombardeiros B-26, mas essas aeronaves levaram mais de três horas para chegar a Cuba a partir das suas bases na América Central. Estava planeado eles usarem uma pista de aterragem perto da aldeia de Girón. Os batalhões que desembarcaram na Playa Girón capturaram rapidamente a aldeia e a pista de aterragem. Só que a perda de combustível da aviação e outros mantimentos que os navios transportavam, impossibilitou a operacionalidade da pista. Isso significava que os B-26 só poderiam operar apenas durante quarenta minutos sobre o topo da praia antes de iniciarem a longa viagem de regresso à América Central para reabastecer.

Complicando ainda mais a situação, as metralhadoras traseiras foram retiradas para disponibilizar espaço para o combustível adicional, facto que tornava os bombardeiros vulneráveis a um ataque, o que veio a acontecer. Quatro dos quinze B-26 foram derrubados pelos três pilotos dos aviões a jacto T-33[xxxi] de Castro, que eram mais rápidos e manobráveis. Os analistas da CIA assumiram que os T-33 não podiam ser usados como aeronaves de combate, mas os cubanos fizeram modificações nos aviões para que se pudesse montar uma metralhadora, resultando num improviso bastante eficaz contra os pesados B-26.

Um poderoso porta-aviões dos EUA estava agora posicionado no exterior, mas o presidente Kennedy recusou um pedido dos líderes navais dos EUA para usar os aviões do transportador para eliminar os tanques de Castro e fornecer cobertura aérea para os navios da Brigada para obter mais provisões. O fim era inevitável. A Brigada foi deixada à sua sorte. Alguns homens ainda tentaram salvar-se penetrando pântano adentro, com a idéia de eventualmente se juntarem aos rebeldes nas montanhas Escambray. Outros fizeram-se ao mar em pequenas embarcações. Mas a fuga era impossível. Três dias após o desembarque, 1.189 homens da Brigada 2506 renderam-se às forças de Fidel Castro. Cerca de trinta foram mortos no desembarque e mais de oitenta na luta subsequente. Entre os homens de Castro, morreram aproximadamente duzentos.

Fidel Castro, vitorioso, mostrou alguma misericórdia para com os prisioneiros da Brigada 2506. Quatorze foram julgados por crimes cometidos, alegadamente, antes da Revolução. Os restantes prisioneiros converteram-se em moeda-de-troca com os Estados Unidos por 500 tractores e um pedido de desculpas. As negociações sobre as condições de troca arrastaram-se por dezoito meses até que, finalmente, os prisioneiros foram levados para os Estados Unidos em troca de medicamentos e alimentos avaliados em cerca de 52 milhões de dólares. Na praia de Girón, foi erguido um enorme outdoor, proclamando: “Giron – The first imperialist defeat in the Americas!”[xxxii]

3.3. A Crise Dos Mísseis

O líder soviético Nikita Khrushchev decidiu que a melhor maneira de proteger Cuba de uma invasão era colocar mísseis com ogivas nucleares na ilha. Segundo o seu raciocínio, os Estados Unidos não se mantiveram afastados dos interesses da União Soviética, então por que não poderia ele instalar os mísseis em Cuba, que se auto-determinava como uma nação soberana?

O propósito era defensivo, especificamente, desencorajar uma invasão contra um país que era agora o aliado da União Soviética. Na convicção de Khrushchev, Cuba tinha o direito de se defender. Ele acreditava que o governo Kennedy faria muitos protestos, mas acabaria por aceitar, assim como ele e os seus camaradas soviéticos aceitaram os mísseis dos EUA no Peru e em Itália. Em Julho de 1962, Khrushchev discutiu o assunto com Che Guevara e disse-lhe, “You don’t have to worry; there will be no big reaction from the US.”[xxxiii] Fidel Castro concordou com a idéia. Nos Estados Unidos, aproximava-se as eleições para o Congresso em princípios de Novembro e a estratégia da URSS passava por manter a entrega dos mísseis em segredo até depois das eleições quando eles acreditavam que Kennedy ficaria menos sob pressão e não fariam nenhum escândalo[xxxiv] disso.

A 14 de Outubro de 1962, os aviões de espionagem americanos detectaram que os soviéticos começaram a instalação de locais para lançamento de mísseis nucleares em território cubano, uma vez que tiveram de mudar o seu foco para fora da Europa. Estando aproximadamente a 150 km da costa americana, passavam a ser claramente uma ameaça para a estabilidade do ocidente e “undermine the uneasy Cold War nuclear deterrent.”[xxxv]

Neste terrível período, Oleg Vladimirovich Penkovsky, coronel do Exército Vermelho que passou a espiar para os Estados Unidos e Grã-Bretanha com o nome de código «HERO»[xxxvi], deu o seu valioso contributo porque providenciou dados precisos sobre as particularidades únicas de construção e lançamento dos mísseis SS4, os principais mísseis nucleares soviéticos de médio-alcance. “The information from their man in Moscow left no doubt in the minds of MI6 and the CIA: the construction in Cuba was for offensive nuclear missiles.”[xxxvii]. Foi a informação que Penkovsky deu à administração Kennedy, fornecendo o conhecimento técnico vital, que permitiu que Kennedy soubesse que tinha apenas três dias para negociar uma solução diplomática antes que os mísseis soviéticos ficassem totalmente operacionais. “Penkovsky is rightly credited with altering the course of the Cold War”[xxxviii].

A 22 de Outubro, JFK dirige-se à Nação e faz um discurso onde anuncia a presença de bases de mísseis soviéticos em Cuba e impõe uma quarentena naval à ilha, com o objectivo de interditar a entrada de armamento ofensivo em Cuba. Enquanto Kennedy falava, a Força Aérea dos Estados Unidos iniciava os preparativos para a guerra. Cerca de 200 bombardeiros com armas nucleares a bordo estavam a ser repartidos pelas pistas de aterragem de todo o país. Uma cópia do seu discurso foi entregue ao embaixador soviético em Washington que prontamente reencaminhou a Khrushchev. De imediato, o líder soviético elevou o estado de alerta e ordenou o exército soviético que evitasse um confronto com a Marinha dos EUA. Ele ordenou que os dois navios que levavam mísseis, o Kimovsk e o Yuri Gagarin, retornassem a casa. Os navios com cargas não-militares, incluindo um petroleiro, deveriam prosseguir para Cuba. Khrushchev escreveu uma carta a Kennedy, acusando-o de conduzir o mundo para a guerra termo-nuclear. O mundo susteve a respiração enquanto as duas super-potências da Guerra Fria se precipitavam para o abismo da «Destruição Mútua Assegurada»[xxxix], mas “after thirteen harrowing days of fear and nuclear threat, the Soviet Union agreed to remove the missiles. In return, the United States pledged not to preemptively invade Cuba and to remove secretly its obsolete nuclear missiles from Turkey.”[xl]

Tanto Kennedy quanto Khrushchev ficaram perturbados com a crise dos mísseis cubanos, consciencializaram-se de que o mundo chegou mais perto do que nunca a uma guerra nuclear em grande escala. Por isso, as tensões da Guerra Fria refrearam quando os soviéticos, britânicos e americanos assinaram o Tratado de Proibição Limitada de Testes Nucleares em 5 de Agosto de 1963, proibindo os testes de armas nucleares na atmosfera, no espaço exterior e sob a água, ou seja, interditava todas as detonações de teste de armas nucleares, excepto as realizadas no sub-solo. Em Outubro de 1963, as mesmas três nações concordaram em abster-se de colocar armas nucleares fora do território nacional. Para evitar possíveis equívocos e/ou erros de cálculo numa futura crise, conjuntamente, foi instalada uma linha directa que ligava o Escritório Oval com o Kremlin.

No entanto, em Cuba, Fidel recebe uma mensagem de Khrushchev aconselhando paciência e auto-controlo porque, por oposição às convicções do líder cubano e de Che Guevara – de «gloria o muerte», defende que “we aren’t struggling against imperialism in order to die.” Esse conselho paternalista de Khurshchev deixou Fidel ainda mais irritado, acusando-o de não ter «cojoñes»”[xli].

4. A SOBREVIVÊNCIA DO REGIME

As sucessivas tentativas de des-estabilização económica e política por parte de todas as administrações americanas desde Dwight Eisenhower até George W. Bush, as curtas incursões militares ditas simplisticamente de «bate-e-foge», as diversas conspirações para assassinar o líder cubano, no decurso da segunda metade do séc. XX, em plena Guerra Fria, levam-nos a levantar a seguinte questão: valeu a pena tudo isso? A resposta de Don Bohning’s, na sua obra “The Castro Obsession” é claramente “não!”[xlii]

4.1. O isolamento cubano

O autor Brian Latell revela a existência de uma carta de Fidel Castro intitulada «Armageddon Letter» destinada a Nikita Khrushchev, datada de 22 de Outubro de 1962 – último dia da Crise dos Mísseis, cujo conteúdo ele revela que Castro defendia um ataque nuclear antecipado contra os Estados Unidos, usando a posição estratégica da ilha e a força dos mísseis tacticamente já montados, conjuntamente com o arsenal nuclear da União Soviética. Não só o líder soviético recusou essa pretensão de Castro como a carga emocional e a impetuosidade de Fidel amedrontaram Khrushchev e inclinaram-no a ceder imediatamente às condições exigidas por Kennedy.

Latell refere ainda que, supostamente, Fidel Castro não estava ciente de que os Estados Unidos tinham uma desproporcional vantagem nuclear sobre a USSR. Devido ao poder da tríade de forças nucleares estratégicas do lado ocidental, o «missile gap»[xliii] que existia em 1962, era claramente superior do lado americano – os silos rígidos de solo, os lançadores de mísseis inter-continentais, os bombardeiros aéreos e os submarinos. Khrushchev tinha conhecimento disso e estava também sabia que os Estados Unidos tinham sido informados desse facto por causa das revelações do Coronel Oleg Penkovsky.

Fidel Castro não deve ter percebido inteiramente as dimensões apocalípticas do que ele tinha proposto ao líder soviético, de certa maneira era verdadeiro que os Estados Unidos teriam de suportar numerosas perdas, mas paradoxalmente, o mundo comunista seria destruído fruto da retaliação das restantes forças nucleares sobreviventes[xliv].

Nikita Khrushchev teve mais dificuldade em lidar com as consequências do desaire dos mísseis cubanos do que Fidel Castro. Por seu lado, o líder de Cuba ficou enfurecido para com o líder da URSS, não só pelas concessões dadas a Kennedy como pela sua falha em consultá-lo antecipadamente. Para o acalmar, em Novembro, Khrushchev enviou Mikoyan a Havana para tensas semanas de negociações secretas – uma crise escondida que cerrou os laços soviético-cubanos. A decisão do Kremlin em extrair equipamento adicional – os IL-28[xlv] e outras armas nucleares tácticas, serviu apenas para intensificar a fúria de Castro, enquanto Khrouchchev ficava cada vez mais exasperado com a intransigência do líder cubano. Embora a aliança tenha sobrevivido, o resultado humilhante da crise prejudicou gravemente a posição de Khrushchev no Kremlin. Juntamente com outros erros, enraizou-se a sensação de que a sua política externa errática tinha que acabar e, em retrospectiva, precipitou o seu afastamento em Outubro de 1964. Fidel Castro, pelo contrário, permaneceu na liderança do governo de Cuba para lá da Guerra Fria. Apesar do desapontamento na forma como a crise terminou, Fidel devia a sua sobrevivência e a longevidade do seu regime, em parte, devido ao voto de não-invasão do presidente Kennedy. As reivindicações de Khrushchev de ter «salvo» Cuba, inúteis na altura, a posteriori, têm alguma validade.[xlvi]

As tentativas de Castro de disseminar a revolução para o resto da América Latina na década de 1960, por outro lado, foram fracassos inequívocos. A captura, com alguma ajuda da CIA, e a morte de Che Guevara foi um grande revés. Esta campanha fracassada forçou Castro a ser mais descarado no seu apoio aos rebeldes em Angola e Moçambique na década de 1970, aos sandinistas na Nicarágua e à FMLN em El Salvador durante a década de 1980. Provavelmente, o maior sucesso de Castro nessa frente foi a Venezuela de Chávez, mas essa vitória pareceu de pouco valer, uma vez afastada a preocupante presença militar soviética.[xlvii]

4.2. O último sobrevivente

Fidel Castro não teve outra prioridade desde o início do seu percurso revolucionário que não a sua própria segurança pessoal. Uma vez alcançado o poder, ele iniciou imediatamente a criação de um serviço de inteligência e segurança, interno e independente das forças armadas, comandadas por seu irmão Raúl, tornaram-no certamente um dos líderes mais invulneráveis do mundo. Quando tinha de efectuar viagens internacionais, Fidel fazia-se acompanhar por uma comitiva de centenas de seguranças de elite e pessoal de apoio. O organismo de inteligência cubana há muito que está cotada entre os melhores do mundo com demonstrações de uma enorme habilidade para descobrir ameaças potenciais bem antes de elas se organizarem.

Dados e informações que recentemente foram divulgados, para o conhecimento público, através dos registos soviéticos, do enorme alcance da inteligência cubana e das suas actividades subversivas por toda a América Latina. No segundo volume dos arquivos Mitrokhin[xlviii], o professor da Universidade de Cambridge Christopher Andrew e Vasili Mitrokhin revelaram que, de 1962 até 1966, a maioria de um total de 650 cubanos ilegais foram enviados para a América Latina através de Praga. Durante esses anos, verificaram-se poderosos movimentos de guerrilha que, através do exercício de tácticas terroristas, entrincheiraram-se em diversos países[xlix].

Castro teve espiões em todos os principais grupos de exilados e era constantemente informado sobre as suas respectivas actividades, incluindo os treinos militar na Guatemala.

Uma carabina de sniper de alta potência com mira telescópica e silenciador, um charuto envenenado, uma caneta explosiva, uma concha do mar explosiva, artigos de higiene envenenados – pasta de dentes, elixir bucal, etc. –, um fato de mergulho envenenado, uma bebida envenenada, drogas deturpadoras da mente, drogas para fazer cair o pêlo facial e do couro cabeludo, um carro-bomba, uma bomba em casa, uma bomba atómica, não, essa não era a lista de Natal de Ted «Unabomber» Kaczynski. Cada um dos itens acima descritos, em certa altura, foram propostos ou discutidos pela CIA, no Pentágono, no Departamento de Justiça e/ou na Casa Branca como forma de acabar com o regime e a vida do «El Comandante» de Cuba, Fidel Castro. E tudo começou quando o seu exército revolucionário tomou o poder em Havana, do ex-ditador cubano em fuga – Fulgencio Batista.

Curiosamente, a primeira reacção do presidente Eisenhower’s foi confusa em relação a Castro. Ele desconfiava desse auto-proclamado revolucionário, mas satisfeito por se ter livrado, finalmente, de Batista que, apesar de ser pró-americano, era extremamente corrupto, implacável, desprezível e embaraçoso. Quando chegou ao poder, o recém-líder cubano não possuía fortes convicções ideológicas, ao invés do seu companheiro revolucionário Che Guevara. Ele, inicialmente, não era marxista-leninista, muito embora, como a maioria dos bons latino-americanos, tivesse uma aversão reflexiva aos EUA. Mas como muitos historiadores argumentam que, com uma diplomacia mais paciente e flexível por parte dos Estados Unidos, Fidel Castro talvez não tivesse terminado do lado do comunismo soviético e sim atraído para o lado americano.

A palavra-chave é «talvez», mas diversas variáveis interagiram no caminho dessa realidade alternativa. A primeira é que Castro não fez segredo nenhum da sua intenção de, uma vez no poder, «nacionalizar» propriedade americana em Cuba, confiscando assim milhões de dólares em imobiliário e negócios – algo que nenhum presidente dos Estados Unidos poderia ignorar sem sofrer consequências políticas. A segunda variável é que, embora a conversão de Fidel ao marxismo tenha chegado tarde, provavelmente foi inevitável devido à sua obsessão por manter o poder. Isto é, a característica especial do marxismo-leninismo – através do autoritarismo centralizador – é que não é necessário realizar eleições, ou procurar consensos com grupos opostos e, inclusivé, preocupar-se com a opinião pública. De qualquer modo, os soviéticos, não deixaram de vislumbrar as vantagens em acolher um ditador revolucionário, anti-americano, de um país a apenas 150 km da costa da Florida. De facto, a parceria cubano-soviética cujas implicações para a segurança nacional dos Estados Unidos, incluindo o medo – como se veio a verificar – que Cuba se tornasse numa rampa de lançamento de mísseis nucleares soviéticos, justificaram, na perspectiva americana, todas as operações encobertas da CIA, e demais agências listadas e relatadas.

Nenhuma delas foi bem-sucedida e, de facto, só em Abril de 2011 que Fidel Castro abdicou, voluntariamente, do cargo de Secretário-Geral do Partido Comunista de Cuba, acabando por vir a falecer de causas naturais a 25 de Novembro de 2016, aos 90 anos. Ele foi o verdadeiro «sobrevivente».[l]

REFLEXÃO CRÍTICA

Vastamente estudado, o período do fim da Segunda Guerra Mundial até à queda da União Soviética, ao qual se designou de Guerra Fria, foi de facto bastante conturbado independentemente de não ter existido confronto militar directo entre duas potências mundiais com ideologias contrastantes. O mundo estava bi-polarizado.

A ilha de Cuba, situada na América Central a pouco mais de 150 km dos Estados Unidos, era uma economia próspera devido ao seu mercado interno ter uma participação significativa da principal economia mundial. Até que a ditadura e a corrupção de Fulgencio Batista ter potenciado a revolta liderada por Fidel Castro, o seu irmão Raúl e Che Guevara. Com a Revolução vieram as mudanças políticas de querer uma Cuba para os cubanos e, por conseguinte, a nacionalização do seu mercado e a resposta dos Estados Unidos, em desagrado, impôs sanções económicas e um embargo marítimo e aéreo de pessoas e bens. Cuba estava isolada na sua luta. Oportunisticamente, a União Soviética, com a sua ideologia expansionista do comunismo, estendeu a sua ajuda a Cuba.

A administração Eisenhower, no último ano de mandato, discordava do desenvolvimento das relações entre Cuba e a União Soviética, decidiu trabalhar com grupos cubanos que se opunham ao regime de Fidel Castro na esperança de o derrubar. Em Março de 1960, Eisenhower incumbiu a CIA do treino de exilados cubanos para uma operação de invasão de Cuba.

Os irmãos Kennedy, o presidente John e procurador-geral Robert, tornaram-se também obcecados com Fidel Castro e Cuba porque, de facto “the Cuban leader posed a threat of almost incalculable dimensions to John Kennedy’s re-election prospects and to critical American interests throughout Latin America and beyond.”[li] O lançamento do programa ambicioso «Alliance for Progress» um mês antes da operação da Baía dos Porcos, a administração Kennedy confrontou-se directamente com Castro em toda a América Latina, por um lado, pelas posições contraditórias em relação às progressivas reformas democráticas, e contra a revolta revolucionária e violenta por outro.

O maior erro americano, nesta conturbada relação com o regime cubano de Fidel Castro, pelas palavras críticas de um dos mais respeitados jornalistas dos Estados Unidos, Walter Lippmann, a pior coisa que a administração de Eisenhower fez foi ter empurrado os cubanos para trás da cortina de ferro e a coisa certa que se deveria ter feito era manter o caminho aberto para o seu retorno[lii].

Ao observar-se apenas os factos, pode-se chegar a uma opinião um pouco menos radical tanto de um lado quanto de outro. É inegável que Fidel Castro revolucionou o governo de Cuba e elevou a auto-estima do povo cubano, assim como inegáveis são as conquistas sociais, como a taxa de analfabetismo próxima do zero, baixo índice de mortalidade infantil, longa expectativa de vida, o menor número de casos de SIDA per capita no mundo, entre outros.”[liii]

Sucintamente, o presidente americano Dwight D. Eisenhower, nos princípios da Guerra Fria, ajudou e forneceu armamento ao regime dictatorial de Fulgencio Batista contra os guerrilheiros de Fidel, rompeu relações com Cuba e preparou a invasão da Baía dos Porcos. O seu sucessor, John F. Kennedy deu luz verde à operação planeada por Eisenhower em invadir Cuba, que falhou redondamente, e com a Operação Mangusto deu continuidade às tentativas de derrube do regime de Castro, protagonizando o ponto mais crítico da Guerra Fria – a Crise dos Mísseis de Cuba – e implementou o embargo total a Cuba.

Depois do assassinato de JFK, o presidente empossado Lyndon B. Johnson, aprovou novos planos da CIA contra Fidel Castro e reforçou o embargo a Cuba, proibindo o envio de alimentos e medicamentos para a ilha. O republicano Richard Nixon, que sucedeu o democrata LBJ, incrementou mais acções contra Fidel e criou obstáculos ao comércio de níquel cubano.

O presidente americano seguinte, o também republicano Gerald Ford por seu lado, autorizou as primeiras viagens de empresários norte-americanos a Cuba e medidas de redução do embargo e melhoramento das relações. A administração de Jimmy Carter, democrata que sucede à republicana de Ford, alívia o embargo e abre escritórios em Washington e Havana para lidar com interesses comuns dos dois países e, com ela, começam as viagens a Cuba de cidadãos cubanos emigrados.

As quatro presidências americanas seguintes foram bem menos simpáticas, retomando a retórica anti-Castro. Ronald Reagan, retoma a dureza do embargo – Acordo migratório de 1984, George H. W. Bush agrava o embargo com a Lei Torricelli que é aplicada pelo seu sucessor democrata Bill Clinton que, não só aprova a Lei Helms-Burton como apoia novas actividades contra Fidel Castro. A administração republicana de George W. Bush, já no século XXI – 2001 a 2008 –, radicaliza ainda mais a política anti-Castro, aumentando o financiamento a grupos opositores ao regime cubano de Fidel, reforçando também o embargo – limitação de viagens e envio de remessas a Cuba. Aprova, no entanto, o comércio de alimentos, mas com restrições.

Só com a administração de Barack Obama, em 2015, se levantam as restrições das viagens e das remessas, bem como se inicia o processo para restabelecer os laços diplomáticos com Cuba.

Feitas as contas, Fidel Castro governou Cuba desde a sua Revolução em 1959 até abdicar para o seu irmão Raúl e sobreviveu a onze administrações americanas, tanto republicanas como democratas.

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[i] Tanto a Doutrina Truman como o Plano Marshall foram manifestações iniciais da política de contenção dos Estados Unidos contra a expansão comunista. Foram a evolução natural de um artigo assinado como «Mr. X» na edição de julho de 1947 do Journal of Foreign Affairs, que George Kennan afirmou que a política dos EUA “deve ser a de uma contenção a longo prazo, paciente, mas firme e vigilante das tendências expansivas russas.”

[ii] LEFFLER, Melvyn P.; PAINTER, David S., Origins of the Cold War: an international history. London: Routledge, 2002, p. 134.

[iii] Liderou a Revolução Chinesa e foi o arquiteto e fundador da República Popular da China, governando o país desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976.

[iv] FENBY, Jonathan, Alliance: The Inside Story of How Roosevelt, Stalin and Churchill Won One War and Began Another. San Francisco: MacAdam/Cage, 2007, pp.453-454.

[v] Carlos Prío Socarrás, nascido na Bahía Honda, em Cuba a 14 de Julho de 1903, morreu a 5 de abril de 1977 em Miami Beach na Florida, EUA. Foi Primeiro Ministro de Cuba, de 1945 a 1947 e Presidente de Cuba, de 1948 a 1952.

[vi] Fulgencio Batista Zaldívar, nasceu em Banes, a 16 de janeiro de 1901 e morreu em Marbella, a 6 de agosto de 1973, foi um militar cubano que serviu como presidente eleito da ilha entre 1940 e 1944, e depois foi ditador entre 1952 e 1959, até ser derrubado pela Revolução Cubana de Fidel Castro. (The Editors of Encyclopædia Britannica, 2016)

[vii] WIKIPEDIA, Fulgencio Batista Presidente da República de Cuba (On line]. Disponível em:<URL:https://pt.wikipedia.org/wiki/Fulgencio_Batista>. (Consultado em 10-12-2017).

[viii] Que o próprio Batista implementou em 1940, tendo sido considerado como um acto político progressista para a época, onde se destaca o sufrágio universal; nacionalização do subsolo; direitos trabalhistas; intervenção do Estado na economia.

[ix] ESCALANTE, Fabián, The Secret War: CIA covert operations against Cuba 1959-62. Melbourne: Ocean Press, 1995, p. 10.

[x] WRIGHT, Robert; WYLIE, Lana, “Fulgencio Batista and Fidel Castro” in Our Place in the Sun: Canada and Cuba in the Castro Era. Toronto: University of Toronto Press, Scholarly Publishing Division, 2009, pp. 8–11.

[xi] AYERBE, Luis Fernando, A Revolução Cubana. 3ª ed. São Paulo: Unesp, 2004, p. 21.

[xii] WESTAD, Odd Arne, The Global Cold War: Third World Interventions and the Making of Our Times. New York: Cambridge University Press, 2007, p. 170.

[xiii] ESCALANTE, Fabián, Op. cit., p. 13.

[xiv] ESCALANTE, Fabián, Op. cit., pp. 14-15.

[xv] LORENZATO, Rodolfo, Dossiê Fidel Castro. São Paulo: Universo dos Livros Editora Ltda., 2009, p. 7.

[xvi] A prática de acusar alguém de ser comunista, socialista ou anarquista com a intenção de desacreditar seus pontos de vista políticos. Disponível em: <http://www.yourdictionary.com/red-baiting#LvMkeWMyXiQ8ig1U.99> (consultado em 30-12-2017).

[xvii] SMITHA, Frank E., Castro and Eisenhower (online). Disponível na internet: <http://www.fsmitha.com/h2/ch24t-cuba2.htm> (consultado em 17-12-2017).

[xviii] SMITHA, Frank E., Op cit.

[xix] COLTMAN, Leycester, The Real Fidel Castro. Bolton: Yale University Press, 2003, p. 180.

[xx] HOSMER, Stephen T., Operations against enemy leaders. Santa Monica: Rand, 2001, p. 3.

[xxi] NASH, Gary B.; JEFFREY, Julie Roy; HOWE, John R.; FREDERICK, Peter J.; DAVIS, Allen F.; WINKLER, Allan M.; MIRES, Charlene; PESTANA, Carla Gardina, The American People, Concise Edition Creating a Nation and a Society, Combined Volume. 6th ed. New York: Longman, 2007.

[xxii] LORENZATO, Rodolfo, Dossiê Fidel Castro. São Paulo: Universo dos Livros Editora Ltda., 2009, p. 3.

[xxiii] LAMRANI, Salim, “50 verdades sobre as sanções económicas dos Estados Unidos contra Cuba” (On line). Disponível na internet: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/28576/50+verdades+sobre+as+sancoes+economicas+dos+estados+unidos+contra+cuba.shtml> (consultado em 23-12-2017).

[xxiv] A Comissão dos Estados Unidos para a Assistência a uma Cuba Livre – CAFC, foi criada pelo presidente dos Estados Unidos , George W. Bush, em 10 de outubro de 2003, para que, de acordo com ele, se explorasse maneiras pelas quais os EUA podiam ajudar a acelerar e facilitar uma transição democrática em Cuba.

[xxv] LAMRANI, Salim, Op. cit.

[xxvi] LAMRANI, Salim, Op. cit.

[xxvii] LAMRANI, Salim, Op. cit.

[xxviii] Luis Anastasio Somoza Debayle, (1922-1967), filho do ditador Anastasio Somoza García, foi presidente interino após o atentado contra seu pai em 21 de Setembro de 1956, e depois Presidente e ditador da Nicarágua entre 1957 a 1963, quando seu pai é morto no dia 29 do mesmo mês e ano.

[xxix] José Miguel Ramón Ydígoras Fuentes (1895 – 1982) foi Presidente da Guatemala de 2 de março de 1958 a 31 de março de 1963.

[xxx] O Hawker Sea Fury, foi um caça monomotor a pistão, designado para servir a Marinha Real, logo após o término da Segunda Guerra Mundial. Foi o apogeu da experiência adquirida em matéria de aerodinâmica antes do surgimento do jato, ultrapassava a velocidade de 600 km/h.

[xxxi] O Lockheed T-33 Shooting Star – avião americano monorreator, a jacto, de asa baixa, bi-lugar em tandem, trem de aterragem triciclo retrátil. Foi produzido pela Lockheed Corporation e fez o seu primeiro voo em 1948.

[xxxii] COLTMAN, Leycester, The Real Fidel Castro. Bolton: Yale University Press, 2003, pp. 179-185.

[xxxiii] DOBBS, Michael, One Minute to Midnight. London: Random House, 2008, p. 113.

[xxxiv] SMITHA, Frank, “The Cuban Missile Crisis, 1962”, (Online). Disponível em: <http:// fsmitha.com/h2/ch24t65.html>, (consultado em 20-12-2017).

[xxxv] TUCKER, Spencer C., Cold War: A Student Encyclopedia (Vol. I: A-D). Santa Barbara: ABC-CLIO, 2008, p. 1105.

[xxxvi] SCHECTER, Jerrold L.; Deriabin, Peter S. The Spy Who Saved the World: How a Soviet Colonel Changed the Course of the Cold War. New York: C. Scribner’s Sons, 1992, p. 284.

[xxxvii] VOLKMAN, Ernest – Spies – The Secret Agents who changed the course of History. New York: John Wiley & Sons, 1994, p. 28.

[xxxviii] WILSON, John Hughes, A História da Espionagem e o mundo dos Serviços Secretos e de Informação. Lisboa: Marcador, 2017, p. 133.

[xxxix] Tradução do inglês «mutual assured destruction» que abreviado tem a sigla MAD – «loucura», é uma doutrina de estratégia militar onde o uso maciço de armas nucleares por um dos lados iria efectivamente resultar na destruição de ambos, tanto atacante como o defensor, que retaliaria com uma força igual ou superior.

[xl] TUCKER, Op.cit., p. 1106.

[xli] SMITHA, Frank, “The Cuban Missile Crisis, 1962”, (Online). Disponível em: <http:// fsmitha.com/h2/ch24t65.html>, (consultado em 20-12-2017).

[xlii] LATELL, Brian, “The Castro Obsession by Don Bohning” (online). Disponível na internet: <cia.gov/library/center-for-the-study-of-intelligence/csi-publications/csistudies/studies/vol49no4/Castro_Obsession_10.htm> (consultado em 19-12-2017).

[xliii] Foi o termo usado nos EUA, durante a Guerra Fria, para descrever a superioridade percebida do número e do poder dos mísseis americanos em comparação com os da URSS – falta de paridade militar.

[xliv] FARIA, Miguel A., “Cuban Espionage — The Saga of Florentino Aspillaga and the Assassination of JFK”, 2002 (Online). Disponível em: <http://www. haciendapub.com/articles/cuban-espionage-%E2%80%94-saga-florentino-aspillaga-and-assassination-jfk>, (consultado em 9-12-2017).

[xlv] O Ilyushin IL-28 era um avião caça-bombardeiro, originalmente encomendado pela Força Aérea Soviética. Foi o primeiro avião da URSS a entrar em produção de larga-escala.

[xlvi] LEFFLER, Melvyn P.; WESTAD, Odd Arne. The Cambridge History of the Cold War – Crises and Détente (1965-1975). Cambridge: Cambridge University Press, 2010, p.85.

[xlvii] COFFEY, Thomas. Op. cit.

[xlviii] O Arquivo Mitrokhin é uma colecção de notas manuscritas secretas do arquivista da KGB Vasili Mitrokhin durante os seus trinta anos como guarda dos arquivos no serviço de inteligência estrangeira do KGB.

[xlix] LATELL, Brian, “The Castro Obsession by Don Bohning” (online). Disponível na internet: <cia.gov/library/center-for-the-study-of-intelligence/csi-publications/csistudies/studies/vol49no4/Castro_Obsession_10.htm> (consultado em 19-12-2017).

[l] Autor anónimo, “Cuba’s Fidel Castro: The ultimate survivor”. (On line). Disponível na internet: <https://snaptwig.com/cubas-fidel-castro-the-ultimate-survivor/> (Consultado em: 28-12-2017).

[li] LATELL, Brian, “The Castro Obsession” (online). Disponível na internet: <cia.gov/library/center-for-the-study-of-intelligence/csi-publications/csistudies/studies/vol49no4/Castro_Obsession_10.htm> (consultado em 19-12-2017).

[lii] SMITHA, Frank E., “Castro and Eisenhower” in Macrohistory and World timeline. (on line). Disponível em: <http://www.fsmitha.com/h2/ch24t-cuba2.htm> (consultado em 20-12-2017).

[liii] LORENZATO, Rodolfo, Dossiê Fidel Castro. São Paulo: Universo dos Livros Editora Ltda, 2009, p. 8.