//Política Económica e Crescimento Económico: O caso da Indonésia

Política Económica e Crescimento Económico: O caso da Indonésia

Escritor do Analítico

 

A Indonésia é um país que contém grande potencial económico, potencial este que não passou despercebido por parte da comunidade internacional. É atualmente a maior economia do Sudeste Asiático e contém uma série de características que colocam o país numa ótima posição para o desenvolvimento económico.

Por política económica entende-se como as medidas pelas quais um governo tenta influenciar a economia nacional, sendo o principal objetivo destas políticas o crescimento económico. O crescimento económico de um país é o aumento do valor de mercado dos bens e serviços produzidos por uma economia ao longo do tempo.

O governo da Indonésia atribui grande prioridade ao desenvolvimento económico e social a nível nacional. Elaborou uma série de objetivos ambiciosos que devem ser atingidos até 2025. Para alcançar esses objetivos, o governo elaborou três planos de desenvolvimento interdependentes: o Plano Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo (RPJPN); o Plano Nacional de Desenvolvimento de Médio Prazo (RPJMN); o Plano-mestre para aceleração e expansão do desenvolvimento económico da Indonésia (MP3EI). A somar a estes programas de politica económica, os governos indonésios anualmente, lançam pacotes de cariz política económica para acelerar esse processo de desenvolvimento.

No que concerne ao papel da política económica no desempenho económico da Indonésia é difícil concluir com certidão se existe de facto uma forte correlação entre estes dois. Até que ponto o crescimento económico na Indonésia não pode ser explicado por outros fatores conjunturais?

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O crescimento económico tem constituído o principal objetivo da política económica da Indonésia, embora existam outros também importantes.  

Ao perseguir o objetivo de crescimento económico, a política económica está a contribuir para o aumento da produção e do emprego, das exportações do investimento, da melhoria dos níveis de vida, etc., objetivos que são encarados como positivos.

Contudo, começam atualmente a surgir algumas dúvidas sobre se o principal objetivo da política económica deve ser o crescimento económico. Isto porque o crescimento observado no passado produziu também efeitos negativos, nomeadamente a deterioração do meio ambiente, que fazem cada vez mais parte da nossa consciência e relativamente aos quais estamos cada vez mais atentos.

A Indonésia figura entre as trintas maiores economias do mundo. Após as convulsões políticas que desembocaram no golpe de Estado que colocou Suharto no poder (1965), foi rejeitado o modelo de desenvolvimento anterior e implementado um plano de ação que visava o fortalecimento económico da Indonésia. A nova ordem, que haveria de se prolongar por mais de trinta anos, começou a ser abalada nos anos oitenta do século passado com a desaceleração do crescimento económico. Com a democratização da vida política, o desempenho económico foi alavancado por políticas de diversificação da pauta de exportações, com a taxa de crescimento económico que colocaram a Indonésia no grupo das economias emergentes.

Tenciona-se com este trabalho analisar quais são as principais políticas económicas que os governos na Indonésia têm vindo a seguir e de que forma é que estas têm vindo a influenciar o desempenho económico deste país.

No que concerne à metodologia, foi seguido a estrutura clássica de um artigo cientifico, no qual é exigido uma introdução, uma definição dos principais conceitos operacionais, o desenvolvimento do tema e por fim a conclusão.

É importante salientar que não existia muita literatura abundante no que respeita a este tema, foram utilizadas várias fontes web gráficas que eram especializadas num tipo de indicador e tema económico. Apesar de ter se verificado muitas dificuldades ao longo do trabalho no que concerne a essa obtenção de informação credível, foi conseguido compilar grande parte da informação necessária para o desenvolvimento do trabalho.

Economia politica e crescimento económico

Por política económica entende-se como as medidas pelas quais um governo tenta influenciar a economia nacional, sendo o principal objetivo destas políticas o crescimento económico. O orçamento nacional geralmente reflete a política económica de um governo, e é em parte através do orçamento que o governo exerce as suas três principais funções de controle: a função alocativa, a função de estabilização e a função distributiva.1

A função alocativa no orçamento determina onde é que a receita do governo será gasta. Uma vez que uma elevada proporção da receita nacional é dedicada à despesa pública, as decisões de alocação tornam-se mais significativas em termos políticos e económicos. A estabilização da economia é um dos objetivos que os governos tentam alcançar através da manipulação das políticas fiscais e monetárias. A política fiscal refere-se aos impostos e despesas e a política monetária aos mercados financeiros e ao fornecimento de crédito, dinheiro e outros ativos financeiros. Como exemplo da função da estabilização temos as politicas de controle da inflação, políticas de erradicação do desemprego e políticas de equilibro da balança de pagamentos. No que concerne à função distributiva, esta diz respeito ao papel que o governo desempenha na distribuição das receitas e para quem ele as distribui, na pratica significa decidir onde estabelecer o equilíbrio entre o que o mercado livre consegue fornecer por conta própria e aonde é que o Estado deve redistribuir através dos impostos e transferências.2

O crescimento económico de um país é o aumento do valor de mercado dos bens e serviços produzidos por uma economia ao longo do tempo.3

Este crescimento económico é medido pelo aumento da produção total de um país ou do Produto Interno Bruto (PIB) real ou Produto Nacional Bruto (PNB). O PIB de um país é o valor total de todos os bens e serviços finais produzidos ao longo de um período de tempo. Portanto, um aumento do PIB é o aumento da produção de um país.4

Atualmente, o mercado global encontra-se interligado, por conseguinte, grande parte dos crescimentos verificados nas economias dos Estados-Nações, não ocorrem isoladamente. Alterações económicas de um país ou região podem ter um efeito significativo no crescimento de outras economias, especialmente quando estes têm uma forte dependência comercial ou quando um sector depende fortemente das exportações para as grandes economias do globo.

A maioria das economias desenvolvidas apresenta um crescimento económico mais lento em comparação com os países em desenvolvimento.

É importante referir que o crescimento económico não é o mesmo que o desenvolvimento económico. O crescimento económico não leva em consideração o esgotamento dos recursos naturais que podem levar à poluição, a uma pegada ecológica na economia e problemas de saúde pública. O desenvolvimento diz respeito a assuntos como a sustentabilidade e utiliza indicadores de cariz social em áreas como a educação, saúde e desigualdade social. Significa assim atender às necessidades do presente sem comprometer as necessidades das futuras gerações. O crescimento económico é um dos indicadores mais importantes de uma economia saudável. Um dos maiores impactos do crescimento a longo prazo é que ele tem um impacto positivo no rendimento nacional e no nível de emprego, o que aumenta o padrão de vida.

À medida que o PIB do país aumenta, este tornar-se mais produtivo o que leva a que mais pessoas estejam empregadas, aumentado assim a riqueza do país e da sua população. Um maior crescimento económico leva também a uma maior receita fiscal para a despesa publica, que o governo pode usar para desenvolver a economia e/ou para reduzir o déficit orçamental caso este se verifique.

Existem vários fatores que influenciam tanto positivamente como negativamente o crescimento económico: os fatores positivos são os recursos naturais que a geografia do país disponibiliza (petróleo, metais preciosos, etc.…); capital físico/infraestruturas (fabricas, sistema ferroviário e rodoviário, portos, etc.…); Mão-de-obra/População, a taxa de crescimento populacional justifica, em muitas economias em desenvolvimento, os altos crescimentos económicos que apresentam; Capital Humano, por norma, quanto mais qualificada é a mão-de-obra de uma economia maior será a produtividade laboral; Tecnologia, quanto mais avançada é uma economia tecnologicamente, maior são os ganhos na produtividade; Estrutura institucional/ Sistema Judicial eficaz, rápido e justo.

Os fatores negativos a ter em conta são: um sistema educacional e de saúde pouco desenvolvido que traz perdas de produtividade consideráveis; falta de infraestruturas necessários para o bom funcionamento da economia; fuga de capitais que afeta o nível de investimento numa determinada economia; Instabilidade Politica que pode levar uma balança migratória negativa, fuga de capitais e fraca credibilidade nos mercados internacionais; sistema institucional debilitado/ Sistema Judicial corrupto, ineficaz e lento.

Politica económica da Indonésia

A Indonésia é um país que contém grande potencial económico, potencial este que não passou despercebido por parte da comunidade internacional. É atualmente a maior economia do Sudeste Asiático e contém uma série de características que colocam o país numa ótima posição para o desenvolvimento económico.

Nos últimos anos, houve um forte apoio por parte do governo central para conter a confiança tradicional da Indonésia nas exportações de commodities (principalmente o crude, óleo de palma e borracha), ao mesmo tempo que tentou aumentar o papel da indústria de manufatura dentro da economia.

O desenvolvimento da infraestrutura também é um objetivo fundamental do governo e um que deve causar um efeito multiplicador na economia.5

Apesar da Indonésia estar ansiosa para reduzir sua dependência tradicional das exportações de commodities e querer aumentar a sua indústria transformadora, é um caminho difícil, principalmente porque o setor privado continua hesitante em investir. Esta transformação é importante porque a queda dos preços dos commodities após 2011 (que são o resultado de um atraso no crescimento económico da China) teve um impacto negativo na Indonésia. O desempenho das exportações da Indonésia enfraqueceu

significativamente, o que implicou menos ganhos em moeda estrangeira e menor poder de compra, causando assim uma desaceleração económica.

O governo da Indonésia atribui grande prioridade ao desenvolvimento económico e social a nível nacional. Elaborou uma série de objetivos ambiciosos que devem ser atingidos até 2025.

Esses objetivos incluem: uma sociedade ordenada, desenvolvida, pacífica e socialmente justa; uma população competitiva e inovadora; uma democracia justa; igualdade social e de desenvolvimento entre todas as pessoas e todas as áreas do país; tornar a Indonésia uma importante força económica e diplomática global.6

Para alcançar esses objetivos, o governo elaborou três planos de desenvolvimento interdependentes: o Plano Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo (RPJPN); o Plano Nacional de Desenvolvimento de Médio Prazo (RPJMN); o Plano-mestre para aceleração e expansão do desenvolvimento económico da Indonésia (MP3EI).7

O RPJPN, é hierarquicamente mais importante e abrange o período de 2005 a 2025. Este plano de longo prazo, por razões de planeamento e eficiência, encontra-se dividido em quatro estágios, cada um com uma vida útil de cinco anos. Essas quatro etapas são as quatro RPJMN (médio prazo) separadas. Através destes planos de médio prazo, os governos podem estabelecer as suas próprias prioridades no processo de desenvolvimento económico nacional (sob a condição de que essas políticas estejam de acordo com o RPJPN de longo prazo). O MP3EI foi implementado em 2011 para ajudar o RPJMN a acelerar e expandir o desenvolvimento económico da Indonésia. De seguida será explicado cada um dos programas mais detalhadamente.

A visão e missão do RPJPN 2005-2025 consiste em estabelecer um país desenvolvido, autossuficiente, justo, democrático, pacífico e unido: “…Desenvolvido e autossuficiente para incentivar um desenvolvimento que garanta uma maior igualdade possível no país, apoiado por recursos humanos de qualidade, por um desenvolvimento da infraestrutura, por uma aplicação de ciência e tecnologia e apoiado pela implementação de uma política externa livre e ativa; Simples e democrática para incentivar o desenvolvimento que assegure um estado de direito justo, consistente, não discriminatório, que atenda ao interesse público e apoie a continuação gradual da democracia em vários aspetos da vida política para ser aceite como uma democracia constitucional; Pacífico e unido para incentivar o desenvolvimento que seja capaz de realizar uma sensação de segurança e paz entre todas as pessoas, capaz de acomodar as aspirações dessa sociedade dinâmica, mantendo a soberania e a integridade territorial do Estado, bem como proteger todas as pessoas de qualquer ameaça…”8

Durante o curso do RPJPN 2005-2025, o desenvolvimento económico visa atingir: O estabelecimento de uma estrutura sólida em que a economia agrícola e a mineração formam a base de uma economia que produz produtos de forma eficiente e moderna, em que a indústria possui competitividade global e se torna o motor da economia e os serviços tornam-se “…a cola da resiliência económica…”; O rendimento per capita em 2025 deverá atingir aproximadamente 6000 US$ em combinação com um nível relativamente bom de equidade, enquanto a quantidade de pessoas pobres não deve ser superior a cinco por cento da população total; Deverá ser alcançado a autossuficiência alimentar e manter os bens alimentares em níveis seguros. Deve conter qualidade nutricional suficiente e estar disponível para todos os agregados familiares.9

Resumidamente, o programa RPJPN 2005-2025 é um programa ambicioso que tenta desenvolver num curto período de tempo uma economia emergente com grande capacidade de dominar certos produtos no mercado internacional. Para o realizar terá que passar por um período claramente de política económica reformista, que mudará a estrutura económica indonésia, modernizando-a para os novos tempos cada vez mais globalizados.

Conforme já mencionado, o RPJPN está dividido em quatro planos separados de médio prazo (RPJMNs) que têm uma vida útil de cinco anos. Destes quatro planos, apenas os dois primeiros foram concluídos. Atualmente, o terceiro plano está em andamento sobre tutela do presidente Joko Widodo.

O Primeiro RPJMN (2005-2009), foi executado durante um período de choques externos provocados pela crise nos Estados Unidos e na Europa. Embora a Indonésia ainda tenha podido mostrar crescimento, esses choques externos causaram um impacto negativo, especialmente em indicadores sociais como a erradicação da pobreza e a luta contra o desemprego que se manteve em nível consideravelmente altos (será mais à frente explicado detalhadamente esse indicador). Além disso, os cortes nos subsídios de combustível em 2005 tiveram um impacto negativo nesses indicadores devido à alta inflação resultante.

O Segundo RPJMN (2010-2014) visou uma maior consolidação da reforma da Indonésia em todos os campos, enfatizando os esforços para aumentar a qualidade dos recursos humanos, incluindo a promoção da capacitação em ciência e tecnologia e o fortalecimento da competitividade económica.

O Terceiro RPJMN (2015-2019) visa uma maior consolidação do desenvolvimento de forma abrangente em todos os campos, enfatizando o esforço da competitividade económica com base na competitividade dos recursos naturais, na qualidade do capital humano e na crescente capacidade de dominar na área cientifica e tecnológica.

O Quarto RPJMN (2020-2025) pretende realizar uma sociedade indonésia autossuficiente, avançada, justa e próspera através da aceleração do desenvolvimento em vários campos, enfatizando a estrutura económica realizada, mais sólida com base em vantagem competitiva em várias regiões, e apoiada por qualidade e recursos humanos competitivos.10

O Plano-mestre para aceleração e expansão do desenvolvimento económico da Indonésia (MP3EI) é um plano ambicioso do governo indonésio para acelerar a realização de se tornar um país desenvolvido em que os frutos e a prosperidade serão distribuídos igualmente entre as pessoas. Ao utilizar o MP3EI, a Indonésia pretende ganhar o seu lugar como uma das economias emergentes, em 2025, com um produto interno bruto total de 4,0 a 4,5 mil milhões de US$.11

A somar a estes programas de politica económica, os governos indonésios anualmente, lançam pacotes de cariz política económica para acelerar esse processo de desenvolvimento. Por conseguinte, o atual governo já vai no “16º pacote de politica económica”,12 este, foca-se em política de cariz monetária e fiscal, como por exemplo fornecer aos investidores incentivos fiscais, reduzir as tarifas energéticas na industria pesada, melhoramento da logística de transporte, facilitar e reduzir a burocracia a quem tenciona fazer negócios na indonésia, etc…13

No total, o governo introduziu 14 pacotes de estímulo, principalmente com foco na desregulamentação, aplicação da lei e segurança empresarial, cortes nos impostos sobre taxas de juros para exportadores, cortes de tarifas de energia para indústrias de mão-de- obra intensiva, incentivos fiscais para investimentos em zonas económicas especiais e redução da taxa de imposto sobre propriedade adquirida por fundos de investimento imobiliários locais.14

O desempenho económico da Indonésia

O desempenho do crescimento continua a aumentar em torno de 5,0 % ao ano.

A taxa de crescimento da Indonésia é consideravelmente alta em comparação com os outros países de rendimento médio e países exportadores de commodities.

Todavia, uma taxa de crescimento de 5,2%, abaixo do seu pico recente de 6,4% em 2010, pode não ser suficiente para enfrentar problemas económicos e sociais crescentes.15 Entre esses problemas, destacam-se o aumento da desigualdade e a taxa de desemprego, especialmente entre os jovens educados. Apesar de um maior crescimento do PIB não reduzir necessariamente a desigualdade, e muitas vezes o aumentar inicialmente, torna a redistribuição politicamente muito mais fácil.

A taxa de desemprego da Indonésia cresceu abruptamente entre fins dos anos 90 até 2005 para valores superiores a 10%, tendo decrescido gradualmente desde essa altura. Nos últimos cinco anos a taxa de desemprego tem rondado os 6%16. Embora o desemprego juvenil tenha caído dos 32% para 20% entre 2005-2010, nos últimos anos, andou em torno de 20% e nunca mais os governos conseguiram baixar desse nível de desemprego.17

No que concerne à evolução ao longo dos anos dos sectores económicos agrícola, industrial e dos serviços, estes tem verificados algumas alterações. O sector industrial tem perdido peso em prol do sector dos serviços, já o sector agrícola não tem oscilado significativamente ao longo dos anos. Podemos afirmar que os serviços apresentam cada vez mais um maior peso na economia e essa evolução parece continuar nos próximos anos. Em 2016 os serviços pesavam 43.6% do PIB, a agricultura 13.45% e a industria 39.3%.18

Apesar do crescimento do pib per capita ter retrocedido significativamente em 2009, após a crise Sub-Prime, a Indonésia tem registado crescimentos de 4% ao ano. Tendo o pib per capita nos últimos dez anos ter mais que duplicado o seu valor (de 1,688$ para 3,570$).19

No entanto, o crescimento na última década beneficiou principalmente os 20% mais ricos negligenciando os restantes 80% da população, que são mais de 205 milhões de pessoas. O nível de desigualdade da Indonésia agora é considerado relativamente alto e está a crescer mais rapidamente do que na maioria dos seus países vizinhos do Sudeste Asiático. Entre 2003 e 2010, o consumo per capita dos 10% mais ricos cresceu mais de 6% ao ano após ajustar a inflação, para os 40% mais pobres, o consumo cresceu menos de 2% ao ano. Por consequência registou-se um aumento acentuado do coeficiente de Gini nos últimos 15 anos, passando de 30 em 2000 para 41 em 2013.20

Onde tem sido visível uma enorme diferença nos últimos dez anos é no consumo familiar, por conseguinte, a despesa familiar indonésia quase que triplicou na última década, sendo atualmente 537 mil milhões de dólares, o consumidor indonésio tem também vindo a ganhar cada vez mais poder de compra e tendência é para continuar esse crescimento.21

Durante muitos anos, por causa do valor dos commodities nos mercados internacionais, a Indonésia apresentou fortes excedentes na balança corrente. Todavia esses excedentes da conta corrente que a Indonésia registou durante grande parte do “boom dos commodities” passaram a déficits em 2011 pois os preços destes caíram. Os déficits rondaram os 2-3% do PIB desde então.

Embora o déficit de conta corrente não seja, por si só, um motivo de preocupação, reflete que a diminuição dos valores das exportações de commodities após o crescimento não foi compensada por um aumento nas exportações de manufatura. Dado que a indústria indonésia tem representado persistentemente apenas uma parte muito pequena da manufatura mundial e que continua a ser prejudicada pela baixa qualidade da infraestrutura e pelas ineficiências regulatórias, o déficit da conta corrente reflete a baixa competitividade do setor industrial em geral.22

Apesar da balança corrente ser deficitária, nas últimas décadas, a Indonésia tem vindo a apresentar uma balança comercial sempre excedentária. Por conseguinte, as exportações na primeira década do século XXI, apresentaram um crescimento sistemático até à crise do Sub-Prime de 2008, porém recuperou o seu crescimento logo no ano seguinte. Nos últimos seis anos tem-se observado um decréscimo das exportações, sendo que atualmente o valor das exportações ronda os valores de 2009. As importações também têm seguido uma tendência semelhante à exportações: forte crescimento até à crise do Sub-Prime, em 2009 uma recuperação visível e nos últimos seis anos uma ligeira queda para valores idênticos a de 2010.23

Os principais destinos das suas exportações são o mercado asiático (67%), o europeu e o norte-americano (ambos com 13%). As maiores economias destinatárias são a China (12%), o Japão (11%), os EUA (11%), Singapura (8%) e a Índia (7.2%).

As principais economias exportadoras para o mercado indonésio são o mercado asiático (72%), o europeu e o norte-americano (10% e 6.8% respetivamente). Os principais países são a China (23%), a Singapura (11%), o Japão (9,8%), a Tailândia (6.5%) e os EUA (5,5%).

De acordo com o indicador da complexidade económica do OEC, a Indonésia exporta 253 produtos com uma vantagem comparativa revelada. O que significa que a sua participação nas exportações globais é maior do que o esperado tendo em conta o tamanho da sua economia exportadora e o tamanho do mercado global desses produtos.24

Os fluxos de IDE para a Indonésia verificaram um crescimento nos últimos anos. Em 2016, o investimento de IDE na Indonésia atingiu 29 mil milhões de US$.

Os principais setores que beneficiaram do IDE em 2016 foram o setor de metais comuns, máquinas, produtos eletrônicos e produtos farmacêuticos.

Os maiores fluxos de capital vieram de Singapura (investindo 9,2 mil milhões de US$ em 2016), seguido pelo Japão (5,4 mil milhões de US$), China (2,7 mil milhões de US$), Hong Kong (2,2 mil milhões de US$) e Holanda (1,5 mil milhões de US$).

O crescimento do IDE é atribuído ao conjunto de pacotes de políticas económicas que foram implementados pelo governo indonésio entre setembro de 2015 e novembro de 2016 (o 16º Pacote de Política Económica referido mais acima).

O governo indonésio conseguiu melhorar a atmosfera geral do mercado em 2016, consolidando a estabilidade política e económica e através de reformas estruturais que eliminaram algum risco de investimento. No entanto, subsistem vários obstáculos, como o aumento do custo do crédito, a regulamentação excessiva e imprevisível, a má qualidade das infraestruturas, o risco de terrorismo e um alto nível de corrupção.25

Conclusão

No que concerne ao papel da política económica no desempenho económico da Indonésia é difícil concluir com certidão se existe de facto uma forte correlação entre estes dois.

É muito complicado saber até que ponto o crescimento económico na Indonésia não possa ser explicado por outros fatores conjunturais. Como foi explicado ao longo do trabalho, a Indonésia encontra-se inserida numa comunidade internacional cada vez mais globalizada e interligada, o que faz com que o seu mercado interno seja influenciado pelos mercados internacionais.

Historicamente verificou-se que o crescimento Indonésio saiu afetado após a crise financeira asiática de 1997 e após a crise do Sub-prime de 2008.

O facto da Indonésia ter como principais exportadores a China, a UE e os EUA torna mais complicado saber exatamente de que forma é estes influenciam a dinâmica do mercado nacional.

É importante salientar que a Indonésia não só é uma economia emergentes como também é uma economia fortemente dependente dos seus commodities. O que faz com se torne difícil isolar o crescimento económico do preço dos commodities e do crescimento esperado de uma economia emergente (grande parte das economias emergentes apresentam fortes crescimentos económicos).

Mas apesar disto, é impossível negar o interesse político que os governos indonésios têm vindo a demonstrar ao longo dos anos no que concerne à realização de políticas económicas com o intuito de aumentar o crescimento económico e desenvolver mais rapidamente o país. Por conseguinte os governos indonésios têm mostrado compreender exatamente aonde é que a economia se encontra ainda muito pouco desenvolvida e quais são as melhores estratégias a seguir para a erradicação dos grandes problemas.

O último pacote de política económica do presidente Joko Widodo demonstra claramente que a Indonésia tem vindo a melhorar as suas estratégias. O aumento do investimento direto estrangeiro no último ano tem sido atribuído ao novo pacote, bem como às suas políticas mais apetecíveis para os investidores estrangeiros.

É necessário que futuramente se realize mais investigação nesta área, pois carece ainda de muita bibliografia e investigação cientifica. Seria interessante algum investigador estudar o caso mais aprofundadamente e descobrir se num cenário hipotético de laissez- faire dos mercados, a Indonésia reagia de forma semelhante ou não.

Referências

1Encyclopedia Britannica. (2018). Government economic policy | finance. [online] Available at: https://www.britannica.com/topic/government-economic-policy [Accessed 2 Jan. 2018].

2Ibidem

3 Economics, D. and Growth?, W. (2017). The Factors of Economics Growth | Intelligent Economist. [online] Intelligent Economist. Available at: https://www.intelligenteconomist.com/economic-growth/ [Accessed 30 Dec. 2017].

4BusinessDictionary.com. (2017). Economic Growth [online] Available at: http://www.businessdictionary.com/definition/economic-growth.html [Accessed 30 Dec. 2017].

5Investments, I. (2018). Economy of Indonesia – Asia’s Emerging Market – Economics | Indonesia Investments. [online] Indonesia-investments.com. Available at: https://www.indonesia- investments.com/culture/economy/item177 [Accessed 3 Jan. 2018].

6Ibidem

7Ibidem

8Investments, I. (2018). National Long‐Term Development Plan (RPJPN 2005‐2025) | Indonesia Investments. [online] Indonesia-investments.com. Available at: https://www.indonesia- investments.com/projects/government-development-plans/national-long-term-development-plan- rpjpn-2005-2025/item308 [Accessed 3 Jan. 2018].

9 Ibidem

10 Investments, I. (2018). National Medium‐Term Development Plan (RPJMN 2010‐2014) | Indonesia Investments. [online] Indonesia-investments.com. Available at: https://www.indonesia- investments.com/projects/government-development-plans/national-medium-term-development-plan- rpjmn-2010-2014/item307 [Accessed 3 Jan. 2018].

11 Investments, I. (2018). Masterplan for Acceleration and Expansion of Indonesia’s Economic Development (MP3EI) | Indonesia Investments. [online] Indonesia-investments.com. Available at: https://www.indonesia-investments.com/projects/government-development-plans/masterplan-for- acceleration-and-expansion-of-indonesias-economic-development-mp3ei/item306 [Accessed 3 Jan. 2018].

12Post, T. (2018). Govt launches 16th economic package to boost investment. [online] The Jakarta Post. Available at: http://www.thejakartapost.com/news/2017/08/31/govt-launches-16th-economic- package-to-boost-investment.html [Accessed 3 Jan. 2018].

13Ibidem

14Ibidem

15Tradingeconomics.com. (2018). Indonesia GDP Annual Growth Rate | 2000-2018 | Data | Chart | Calendar. [online] Available at: https://tradingeconomics.com/indonesia/gdp-growth-annual [Accessed 2 Jan. 2018]

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19 Data.worldbank.org. (2018). GDP per capita (current US$) | Data. [online] Available at: https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD [Accessed 2 Jan.2018]

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24 Ibidem

25 En.portal.santandertrade.com. (2018). Foreign investment in Indonesia – Santandertrade.com. [online] Available at: https://en.portal.santandertrade.com/establish-overseas/indonesia/foreign-investment# [Accessed 3 Jan. 2018].

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